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Não adianta, mas nos quatro cantos do Brasil só se fala na dita TV DIGITAL. Mesmo que não se conheça ao certo o que venha a ser ou qual o real impacto que isso trará na sociedade brasileira a curto, médio e longo prazo. Entretanto, não é sobre isso que iremos discorrer. O objetivo deste é demonstrar como a comunidade mundial, em especial, o Brasil, conseguiu mudar de paradigma – adotando a doutrina do “entertainment”, ou seja, do entretenimento, do qual, a TV digital é apenas a coroação de um modelo mundial, baseado na esterilização do pensamento crítico. Tornando-se uma sociedade baseada na concepção da diversão e da ilusão como mecanismo de sobrevivência.
O Ministro da Cultura Gilberto Gil, em entrevista ao programa da TVE/Brasil (Observatório da Imprensa/08.05.07), afirmou que “não importa se é um jornal, documentário, tele-novela... tudo é entretenimento.” Ele se referia exatamente a quebra de um paradigma da televisão, como meio de comunicação e informação. Mas rechaça a idéia de que o fator motivador é o desvio da realidade, em busca de um prazer momentâneo.
Parece difícil de compreender, mas não é. Desde a ascensão do estado laico, ou seja, o Estado separado da Religião, o ser humano começou a segregar o ‘sagrado’ do secular. Isto trouxe transformações importantes, inclusive a ascensão da ciência, tecnologia e dos meios de comunicação.
Hoje, o maior desafio dos meios de comunicação, ou melhor, de entretenimento é a separação do que é real e daquilo que seja surreal; o abstrato daquilo que é concreto. Este é, e será o desafio da nova telecomunicação brasileira.
O marco desse processo de miscigenação surreal aconteceu no fatídico 11 de setembro de 2001 que culminou na queda das torres gêmeas, marco do coração financeiro do mundo. Fato que nenhum diretor holliowdiano poderia acreditar que acontecesse verdadeiramente. A mídia escrita e falada teve um papel “impecável” na cobertura dos fatos; todos os ângulos, todas as imagens, por mais inconvenientes que pudessem se parecer. A sociedade atônita se entretinha a acompanhar o grande número de mortos e feridos. Começava ali um processo irreversível de anestesia social que teria o seu apogeu na invasão Norte-Americana no Iraque, numa procura pretensiosa por “armas químicas”, do qual o próprio ex-secretário de Estado Americano Collin Powen sabia das reais pretensões bélicas dos EUA e que o Iraque não dispunham desse armamento.
Tudo isso somado com os homens-bomba da palestina, explosões no Iraque, tsunami na Índia e o narcotráfico na América Latina. Trouxe a sensação ainda mais pujante que o real já não mais existe; trazendo conseqüências tanto no âmbito psicológico quanto sociológico.
Em virtude dos fatos mencionados nos damos conta que atualmente, a sociedade está cada vez mais insensível à problemática social e política, por causa de um processo de cauterização da mente humana, onde observamos os fatos mas não sentimos a dor; apenas o prazer de podermos assistir a tudo e a todos, e não mais incomodar. Estamos nos transformando em ilhas cibernéticas, unidos por um www.com.
Josué Tavares de Menezes
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